Os treinadores da velha guarda do futebol português dizem ter uma espécie de "código de conduta".
Não me esqueço quando Manuel José chamou "Tarzan" a José Mourinho quando este o substituiu na União de Leiria. Queria Manuel José que o "novo Tarzan" do futebol português lhe tivesse ligado a dizer que o ia substituir em Leiria.
Manuel Cajuda é também um desses treinadores da velha guarda que não entende como é que os professores chegam a treinadores. Também é daqueles que conhece muito bem os balneários, e ao longo dos anos foi mostrando que conhece igualmente os bastidores do futebol português.
Não me esqueço quando fazia comentários para a Sportv, de um jogo Porto-Benfica em que o Deco expulsou o Ricardo Rocha, e ele após ver a 10ª repetição continuava a dizer convictamente que o Ricardo Rocha tinha sido bem expulso, quando em movimento real se tinha visto claramente a simulação de Deco.
Não se coibiu este Benfiquista assumido de lamber mais uma vez o cu ao Pinto da Costa, pois todos nós sabemos, e os treinadores ainda melhor, quem manda neste paízinho corrupto.
Ao ler as ultimas declarações de ambos sobre Carlos Queiroz apetece perguntar por onde anda o tal "código de conduta".
Deixo aqui uma crónica do Fernando Guerra do jornal "A Bola" deste Domingo:
Oportunistas
Queiroz é o seleccionador nacional e, independentemente das condições que se lhe deparam para o normal desempenho do cargo, creio que só deixará de o ser se for essa a sua vontade. Depois da pobreza que caracterizou a última reunião directiva da FPF, reflexo de um executivo sem ideias nem expressão e cercado por interesses a que obedece e por influências a que se curva, a primeira conclusão a retirar é óbvia: para mudar a sério, preocupe-se menos o secretário de Estado com o facto de os jogadores falarem muito e jogarem pouco ou com o pecado linguístico do seleccionador e mais com esta Federação, oca e amorfa, sem memória e que devia estar grata a Queiroz. Gratidão? Solidariedade? Numa sociedade de atropelos vão-se espezinhando todos os valores em nome da inveja. Perdeu-se a vergonha, eu sei. Mas é abominável, entre mestres do mesmo ofício, os comportamentos de Manuel José, antes, e de Manuel Cajuda, agora. Ambos desempenharam o papel de oportunistas, vomitando deselegâncias para agradar a quem deseja a ruptura, e ambos se disponibilizaram para o exercício da função. Com gente como esta, Queiroz mil vezes...
Por Fernando Guerra, em "A Bola" de 01 de Agosto de 2010