É difícil explicar, e até mesmo transmitir, como se começa a gostar de um clube.
Desde os meus 11 anos que o Benfica, clube que dá cor à minha vida, vive sempre presente dentro de mim. Sempre que estou à conversa, com amigos, é comum surgirem afirmações -“Eu gosto do benfica, mas não sou doente como tu....”, “São uns xulos, não compreendo como gostas daquilo”, “Eu também era assim, quando chegares aos 30 falamos..”, “o Benfica?? É só desgraça....” – o meu pai, tentando não entender o meu sentimento, costumava repreender-me, pelas vezes que eu desistia de uma saída à noite, uma ida ao café, ou pelo meu mau feitio, “apenas” porque o Benfica tinha acabado de empatar, o que para ele era apenas uma “simples” perca de pontos. Passaram 15 anos e permanece a dor, desilusão, mau feitio, o sofrimento e o rosto, que habitualmente é alegre, fica fechado e triste sempre que o Benfica perde pontos. Isto é sentir o Benfica. Sentir o Benfica é partilhar, com outros benfiquistas, a soma de pontos, o degrau do estádio onde cabe mais um, a alegria do golo. E aguentar sozinho, sem criticar, sem dizer mal, sem desistir, a derrota ou aquele mau jogo onde tudo correu mal.
Costumo responder aos meus amigos, aqueles que questionam o início da paixão, que sei quando tudo começou. Aquele dia em que passei, de um simples adepto, a ser um benfiquista apaixonado. Tudo se passou numa terça-feira dia 24 de Março de 1994. O meu tio e os meus primos, estavam de partida para Lisboa. Jogava-se o Benfica – Parma, jogo das meias-finais, da velhinha, da Taça das Taças. Todos tinham “o” bilhete que garantia, como que num passo de magia, a entrada no místico estádio da luz. Infelizmente e para grande mágoa minha, não sobrou bilhete para mim, e por isso a única coisa que me era permitida fazer era chorar, enquanto os via partir em direcção a lisboa, para ver aquele jogo que eu tanto tinha sonhado ver, ao vivo, no velhinho estádio da luz. Tinha 11 anos e jamais esquecerei esse dia, em que chorei as horas suficientes para que a garganta não parasse de doer. Chorei de raiva, de desgosto, tristeza e desilusão por não poder fazer 200km até lisboa e ver ao vivo o grande jogo Benfica – Parma. Nesse dia eu e o Benfica passámos a ser uma coisa única, sob a promessa que fiz, de que quando fosse um homem e tudo dependesse de mim, tudo seria diferente e jamais falharia uma meia final, ou qualquer outro jogo, mesmo que fosse um amigável, que eu idealizasse assistir ao vivo. Nesse dia alinhámos com o seguinte onze: Neno, Abel Xavier, Hélder, Mozer, Veloso, Kulkov, Paneira, Rui Costa, Isaias, João Pinto e Yuran. Vencemos 2-1, golos do Isaias e do Rui Costa, e lembro-me de chorar, mais uma vez, no fim do jogo porque queria ter lá estado.
Hoje sou homem e dependo de mim, e por isso assisto a todos os jogos que o benfica joga na luz, e este domingo fiz questão de ir a Belém, assistir a uma grande tarde de futebol. Isto é sentir o Benfica... Foi este o meu pacto, é esta a minha vontade e assim seguirei para sempre.
Porquê?
Porque,
Eu amo o benfica.
Abraço,
Gonçalo Cabecinha